25 julho 2008

Em se plantando, tudo dá!


Muitas pessoas repetem insistentemente que o Brasil não é um país de leitores. Muito bem, isso nós já estamos cansados de saber. O que interessa é: o que podemos fazer?!
Pensando nisso, resolvi plantar em meus alunos o interesse por esse subversivo objeto de cidadania: LIVRO. Para isso, falo de livros, de histórias, ouço seus relatos de leituras (mesmo que sejam ligados a obras que jamais teria interesse), leio com eles e/ou para eles.
Como minha paixão é verdadeira, muitos se apaixonam por meu entusiasmo e dão uma pequena chance ao universo literário... quem sabe não funciona!
Enfim, continuo acreditando que em se plantando, tudo dá: até amor pela leitura!

19 julho 2008

Anima Mundi em cena


Assisti à sessão 15 de Curtas e adorei o curta: "Calango Lengo - Morte e Vida Sem Ver Água" de Fernando Miller. A duração da animação é de quase 10 minutos de muita criatividade e bom humor. O público aplaudiu de pé numa sessão realizada em Botafogo.
As sacadas de referências intertextuais são muito interessantes, como se pode verificar desde o título que dialoga com João Cabral e sua Morte e Vida Severina.
A diversão é garantida com as peripécias do protagonista Calanguinho que enfrenta a seca e a fome numa luta contra a morte, sua perseguidora mais feroz. Com uma ajudinha de Nossa Senhora Aparecida, tudo fica mais fácil! Vale a pena conferir. Fica a dica!

I Encontro de Educação do Museu da República (14 de agosto)

13 julho 2008

Para pensar com Mia Couto


"Ante o frio, faz com o coração o contrário do que fazes com o corpo: despe-o.
Quanto mais nu, mais ele encontrará o único agasalho possível - um outro coração."

Epígrafe de Chuva Pasmada de Mia Couto

09 julho 2008

Criatividade

Esta redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFRJ, que venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.

Redação:

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se
encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural,
com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem
definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.

Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um
sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e
filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos,
num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a
se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse
pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro:
ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns
sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o
elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu
aposto.


Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma
fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para
ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num
vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.

Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e
rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam
terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo
seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem
um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela
confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou
outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas
palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum
de dois gêneros.


Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias,
parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns
minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia
tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um
perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu
grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu
repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo,
e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram
gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.. Mas ao ver
aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo
auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.


Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por
todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto
adnominal.

Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo
absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com
aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada
vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo,
propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas:
enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo,
e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido
depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na
história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e
voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo
feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

05 julho 2008

Palestra com Edgar Morin

Os Wallys - confraternização da turma da Especialização (2008)


Faço minhas as palavras de Galileu

Você não pode ensinar nada a um homem; você pode apenas ajudá-lo a encontrar a resposta dentro dele mesmo.
(Galileu Galilei)

Reforma ortográfica

Como muitas pessoas ainda têm (tem - pelos novos princípios) dúvidas quanto às novas regras ortográficas, resolvi criar uma série de dicas sobre essa reforma, ainda misteriosa em seus princípios para muitos.

Dica de hoje:

Pela regra antiga, as letras "k", "w" e "y" não integravam o alfabeto brasileiro, perfazendo um total de 23 letras.

Pela regra nova, tais letras são integradas ao nosso alfabeto que passa a ter 26 itens. Essas letras devem ser usadas em nomes próprios, siglas, símbolos, palavras estrangeiras e derivadas: Byron, byriniano, kg, show etc.

Trocando em miúdos: essa regra nada altera nosso cotidiano ortográfico porque já fazíamos uso dessas letras e até tínhamos dúvidas se nosso alfabeto possuía 23 ou 26 letras.

Mais dicas amanhã!!

02 julho 2008

Nos meandros da pontuação: as maravilhas da vírgula

A vírgula pode ser uma pausa... ou não:
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro:
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária:
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis:
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões:
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução:
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião:
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Ou muda uma atitude:
Matar o Rei não é crime!
Matar o Rei não, é crime!

Uma vírgula muda tudo...